Temperaturas oceânicas atingiram mais um máximo histórico em 2025
- 09/01/2026
O estudo, envolvendo mais de 50 cientistas de 31 instituições de investigação de todo o mundo, refere que o aumento de calor do oceano o ano passado foi de 23 zettajoules (um zettajoule é um joule, a unidade padrão de energia calorífica, seguido de 21 zeros).
Tal "equivale a cerca de 37 anos de consumo global de energia primária [a que está disponível na natureza]", tendo como referência o consumo energético em 2023, adianta um comunicado divulgado pelo Instituto de Física Atmosférica, da Academia Chinesa de Ciências, ao qual está ligado o autor correspondente do estudo, Lijing Cheng.
Cobrindo cerca de 71% da superfície do planeta, o oceano absorve 30% de todas as emissões de dióxido de carbono (CO2, o mais importante dos gases com efeito de estufa) e captura 90% do calor gerado por estas emissões em excesso, sendo o principal reservatório de calor do sistema climático.
Segundo o comunicado, ao refletir a acumulação de calor armazenado no oceano, o conteúdo de calor oceânico (CCO) "fornece um dos melhores indicadores das alterações climáticas a longo prazo".
A subida da temperatura dos oceanos "impulsiona a subida do nível do mar, (...) fortalece e prolonga as ondas de calor e intensifica os fenómenos climáticos extremos, aumentando o calor e a humidade na atmosfera", que provoca a continuação do crescimento do calor dos oceanos e torna mais prováveis os recordes.
Os cientistas verificaram que o CCO atingiu em 2025 o nível mais elevado alguma vez registado, confirmando o aumento contínuo de calor nos oceanos.
A investigação mostrou ainda que o aquecimento oceânico não é uniforme, estando algumas áreas a aquecer mais rapidamente do que outras.
Em 2025, cerca de 16% da área oceânica global atingiu um CCO recorde e à volta de 33% ficou entre os três valores mais elevados alguma vez registados, estando incluídas nas áreas com maior aquecimento as zonas tropicais do Atlântico Sul e do Pacífico Norte e o Oceano Antártico.
No geral, a tendência de aquecimento oceânico é mais forte desde a década de 1990, sendo que nos últimos nove anos foram sendo atingidos recordes sucessivos.
Em relação à temperatura média anual global da superfície do mar (TSM), a atingida em 2025 foi a terceira mais quente alguma vez registada por instrumentos e manteve-se cerca de 0,5 graus Celsius (°C) acima da média de referência de 1981-2010.
O ano passado, a TSM foi ligeiramente inferior à de 2023 e 2024, principalmente devido à transição dos fenómenos climáticos naturais El Niño para La Niña no Pacífico tropical.
As temperaturas da superfície do mar afetam os padrões climáticos em todo o mundo. As mais quentes "favorecem o aumento da evaporação e chuvas mais intensas, causando assim ciclones tropicais mais fortes e outros fenómenos climáticos extremos". O ano passado contribuíram para as inundações em grande parte do Sudeste Asiático, no México e no Noroeste do Pacífico, bem como para a seca no Médio Oriente.
A análise de grupos de investigação independentes, ligados ao Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências, ao programa Copernicus da União Europeia, e à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos, tem por base informação de centros de dados internacionais, envolvendo três continentes: Ásia, Europa e América.
Os resultados finais do estudo serão incluídos numa coleção especial, organizada pela revista Advances in Atmospheric Sciences, sobre Alterações no Conteúdo de Calor dos Oceanos.
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