Organizações relatam pelo menos 29 mortos desde o início dos protestos no Irão
- 06/01/2026
A organização de defesa dos direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, referiu que, nos primeiros sete dias de protestos, foram registadas 29 mortes e 1.203 detenções.
A contagem da agência France-Presse (AFP) divulgada hoje, baseada em comunicados oficiais e relatos dos meios de comunicação social, apontava para pelo menos 12 mortos, incluindo membros das forças de segurança.
"Pelo nono dia consecutivo, os protestos e greves continuam em várias cidades do Irão", frisou o grupo no seu relatório diário, citado pela agência Europa Press.
"Apesar do aumento da presença das forças de segurança, dos confrontos nas ruas e do uso de munições reais em algumas zonas, o alcance geográfico dos protestos não diminuiu", acrescentou.
Segundo a HRANA, os protestos, pelo contrário, persistem de diversas formas em todo o país e, nos últimos dias, foram relatados protestos em pelo menos 257 locais em 88 cidades de 27 províncias.
A queda do poder de compra de milhões de cidadãos iranianos está na origem dos protestos, que ocorrem no meio da crescente pressão e das sanções económicas dos Estados Unidos.
Os EUA, juntamente com Israel, voltaram a atacar o programa nuclear do Irão, incluindo ataques aéreos como os de Junho passado, que mataram aproximadamente mil pessoas no país da Ásia Central.
O chefe do poder judicial no Irão, Gholamhossein Mohseni Ejei, exigiu hoje que seja cumprida a lei, mas, em consonância com a posição adotada pelo Governo desde o início do movimento, reconheceu o direito legítimo de manifestação por reivindicações económicas.
"A República Islâmica ouve os manifestantes (...) e distingue entre eles e os arruaceiros violentos", acrescentou.
A agência de notícias iraniana Fars noticiou hoje que "a tendência observada na noite de domingo foi uma diminuição assinalável no número de manifestações e na sua abrangência geográfica".
As autoridades e os meios de comunicação iranianos nem sempre relatam todos os incidentes de forma detalhada.
Os vídeos das manifestações inundam as redes sociais, mas nem todos podem ser autenticados.
No domingo, as autoridades anunciaram um auxílio mensal de 10 milhões de riais (aproximadamente seis euros) por pessoa, durante quatro meses, para "reduzir a pressão económica sobre a população".
O movimento de protesto ainda não atingiu a mesma escala do que foi desencadeado no final de 2022 pela morte sob custódia de Mahsa Amini, presa por violar o rígido código de vestuário feminino.
Em 2019, os protestos fizeram também dezenas de mortos no Irão após o anúncio de um aumento acentuado dos preços da gasolina.
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