"Não pedi nem pedirei para sair". Ministra da Saúde de pé no meio do caos
- 09/01/2026
A ministra da Saúde está de novo debaixo de fogo. Desta vez, por causa das mortes decorrentes no atraso no socorro. Mas, mais uma vez, Ana Paula Martins recusa estar de saída do Governo.
"Não pedi nem pedirei para sair do Governo", garantiu Ana Paula Martins ao semanário Expresso, acrescentando que "naturalmente" sairá "quando o primeiro-ministro assim o decidir".
Já ontem, no debate quinzenal, Luís Montenegro garantia que a ministra da Saúde vai continuar no Governo, depois de o Chega acusar Ana Paula Martins de incompetência após a morte de três pessoas alegadamente por atrasos na assistência médica.
"Os problemas da saúde não se resolvem com demissões, nem com jogadas políticas e político-partidárias. Resolvem-se com convicção, com competência, com insistência, com resiliência, e é para isso que este Governo, este primeiro-ministro e a ministra da Saúde estão no Governo e vão continuar no Governo", afirmou o chefe do executivo, no debate quinzenal na Assembleia da República, onde também anunciou 275 novas viaturas para o INEM.
Marcelo pede explicações
Já depois disso, o Presidente da República veio pedir uma explicação "o mais rápido possível" sobre os casos de mortes que ocorreram sem que tivesse chegado socorro do INEM, defendendo que os portugueses precisam de certezas nesta matéria.
"O esclarecimento sobre isso o mais rapidamente possível é importante para a opinião pública reagir de uma forma fundamental, que é acreditar no Serviço Nacional de Saúde", afirmou, em declarações à SIC Notícias.
Questionado sobre se "há lugar para ministra da Saúde no Governo", Marcelo que "é o primeiro-ministro que decide sobre o que é preciso fazer no Governo" e recordou que Portugal irá escolher um novo Presidente da República em breve.
Partidos e candidatos presidenciais pressionam Governo
A notícia de mais duas mortes alegadamente por atrasos na assistência médica acabou por marcar o quinto dia de campanha para as eleições presidenciais, com os candidatos a exigir esclarecimentos ao Governo, mas dividindo-se entre a exigência da demissão da ministra da Saúde e a responsabilização dos sucessivos executivos.
"Espero e desejo que alguém de responsabilidade venha no mínimo explicar esta situação", afirmou Luís Marques Mendes apontando diretamente à direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que disse andar "desaparecida em combate".
No entanto, o candidato apoiado pelos partidos do Governo (PSP e CDS-PP) admitiu que também Ana Paula Martins, "se entender", poderá dar "uma palavra de explicação" sobre estas mortes, que considerou "chocantes".
Para António José Seguro, a situação na saúde é "inaceitável" e "alguém tem que pôr cobro a isto".
"Enquanto Presidente da República, tratarei diretamente desse assunto com o primeiro-ministro", respondeu o candidato apoiado pelo PS quando questionado sobre se Ana Paula Martins tem condições para resolver a situação.
Sobre a manutenção da ministra da Saúde no cargo, João Cotrim Figueiredo reafirmou que a composição do Governo cabe ao primeiro-ministro e, por isso, um Presidente da República não deve interferir nessa composição.
Para Catarina Martins, "estamos numa situação de calamidade na saúde". "Já não podemos dizer que foi um erro da ministra, uma coisa que correu mal. É mesmo um problema global do Governo, do qual o primeiro-ministro é o principal responsável", afirmou a ex-líder do Bloco de Esquerda.
Já o candidato apoiado pelo PCP, António Filipe, acha que estes casos têm de ser investigados. "Têm de se perceber exatamente porque é que isso aconteceu e o que é que tem de ser alterado para que isso não aconteça", completou.
O líder do Chega ameaçou que caso isso não aconteça, se for eleito Presidente da República haverá "consequências" para o Governo.
"A consequência é dizer ao Governo que se não entra na linha, a ministra da Saúde tem que sair", indicou.
Após o debate quinzenal, o candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo considerou estranhos os investimentos anunciados em cima de acontecimentos trágicos e remeteu para o chefe do Governo a avaliação sobre as condições políticas para a ministra da Saúde continuar em funções.
Ainda no decorrer do debate, o secretário-geral do PS acusou o Governo de "insensiblidade, incapacidade e incompetência" para responder a problemas da saúde, considerando que o INEM se transformou "numa lotaria que joga com a saúde das pessoas", mas sem nunca mencionar a ministra em particular.
Também o coordenador nacional do Bloco de Esquerda reagiu à polémica defendendo que a ministra da Saúde deveria demitir-se imediatamente e questionando o primeiro-ministro sobre o que mais é preciso acontecer para haver uma alteração na política de saúde.
"A ministra da Saúde [Ana Paula Martins] há muito tempo que não tem condições para ser ministra da Saúde. É apenas uma teimosia por parte do primeiro-ministro manter esta pessoa", disse José Manuel Pureza.
















