Habitação e novas gerações vão ocupar Centro de Arquitetura do CCB

  • 10/01/2026

Com atividade que passou por países como Bélgica, Japão, Suíça, Canadá e Estados Unidos, o co-fundador do Atelier Fala afirma que irá aproveitar essa experiência para dar a conhecer em Lisboa as práticas internacionais mais recentes na arquitetura.

 

"Não queremos celebrar o que já está muito celebrado cá [em Portugal]. Nós queremos reverberar coisas novas. Quando incluirmos práticas nacionais, não serão por celebração de carreira, isso já está muito feito, até demasiado, em Portugal, mas sim dar um palco a práticas que não tenham tido oportunidade de ser mostradas", declarou, em entrevista à agência Lusa.

Filipe Magalhães entrou em funções no início de janeiro, depois de o seu nome ter sido anunciado em novembro para curador do Centro de Arquitetura do Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém (MAC/CCB), na sequência de um concurso público internacional.

Apesar de ter sido escolhido institucionalmente para curador principal, sublinhou que irá trabalhar sempre em conjunto com os arquitetos Ana Luísa Soares, Ahmed Belkhodja e Lera Samovitch, seus parceiros do atelier Fala, fundado no Porto em 2013.

Na primeira entrevista à frente do Centro de Arquitetura, Filipe Magalhães reiterou que o factor etário "vai ser uma bandeira", porque considera "mais importante falar do que vem a seguir e não do que cristalizou".

Questionado sobre a visibilidade que dará também à produção portuguesa nesta área, disse que vai "integrar algum tipo de perspetiva desta nova geração de práticas portuguesas, e de como poderão contribuir ou não" no percurso da arquitetura da atualidade para o futuro.

Os arquitetos portugueses a convidar para exposições "serão muito jovens", aqueles "que ainda não tenham tido oportunidade de mostrar o que estão a fazer", apontou o curador nascido no Porto, em 1987, e formado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), onde se encontra a concluir o doutoramento.

Filipe Magalhães veio ocupar o lugar da arquiteta Mariana Pestana - que desempenhou funções de curadora-chefe durante cerca de um ano -- e irá definir a visão artística, programação e coordenação da equipa do centro, reportando a atividade à diretora do MAC/CCB, Nuria Enguita.

Sobre os temas que irão ser explorados nos próximos quatro anos no Centro de Arquitetura, o responsável indicou que a habitação estará no centro do debate, "mas não sobre o que tendencialmente é visto nas notícias, ao nível do acesso ou custo, mas a partir do desenho, ligada à prática dos últimos 25 anos deste século".

"Não temos muito interesse em ir mais para trás, porque já muito foi falado e estudado o movimento moderno, o que falhou, o que o pós-modernismo nos deixou como legado. Queremos olhar para o que está a acontecer aqui e agora, e um bocadinho para a frente, tentar perceber o que vem a seguir", apontou.

A programação já anunciada para o Centro de Arquitetura do MAC/CCB este ano inclui a exposição "Habituar Portugal", coordenada pela Ordem dos Arquitetos, que é inaugurada a 12 de fevereiro, e depois "Terra Crua", ainda com curadoria de Mariana Pestana, entre junho e novembro.

A nova direção inaugurará a sua primeira exposição no início de janeiro de 2027, embora na segunda metade do ano em curso já organize vários programas paralelos -- nomeadamente um ciclo de conferências -, para "preparar" o terreno para o ano seguinte, indicou à Lusa.

A habitação será o tema dessa primeira mostra: "Vamos falar sobre plantas, onde tudo começa na arquitetura. O desenho da planta à escala da sala, do quarto ou da cozinha. Interessa-nos falar na disciplina, na prática, mas não para praticantes apenas, acima de tudo [para] o público em geral".

O objetivo do curador vai ser "democratizar o acesso aos conteúdos, partindo de temas familiares para o debate" que vai promover através das exposições: "É verdade que os públicos têm idades, formações e nacionalidades diferentes, mas todos eles compreendem o que é uma casa, e têm uma ideia do espaço doméstico, uma ideia do conforto".

A intenção do co-fundador do atelier Fala é "fazer exposições edificatórias, que vão querer propor coisas concretas, não só para arquitetos mas para todas as pessoas, e serão inquietantes porque interessa dizer o que tendencialmente não é dito entre pares", e, por outro lado, "que o público alargado possa interessar-se, apaixonar-se e discutir arquitetura, sabendo que é muito raro isso acontecer".

Ao longo dos próximos quatro anos, haverá temas que serão uma constante nas programações, segundo Filipe Magalhães: "A habitação menos na sua construção económica, como é tratada frequentemente pelos media e pela sociedade política, mas como um desenho, um conjunto de elementos que define um espaço e da vida dos habitantes; a ideia o estado da arte, olhar para quem está a fazer o quê aqui e agora, e nas exposições monográficas apresentar apenas autores com menos de 35 anos".

Questionado sobre a internacionalização do Centro de Arquitetura do MAC/CCB, o curador avançou que ao longo dos próximos anos será aproveitada a "posição estratégica" do espaço neste contexto, em Portugal, focando-se "num horizonte mais extra-fronteiras".

"Num primeiro momento queremos trazer mais de fora para Portugal, e depois, num segundo momento, tentar exportar programas paralelos para outros países, fazendo uma troca equilibrada, exportando também algumas ideias ou discursos", indicou, destacando que esta internacionalização nunca tinha acontecido nos moldes em que o atelier Fala está a propor.

Filipe Magalhães acrescentou que, quando pensa em exportar programação, se refere a "alguns contextos europeus inicialmente, mas depois também noutras latitudes".

"Queremos que se saiba exatamente o que é esta instituição [o Centro de Arquitetura do CCB], o que está a tentar fazer e a dizer aos públicos", vincou o arquiteto que antes de fundar o seu próprio atelier, trabalhou no de Harry Gugger, em Basileia, na Suíça, e no SANAA, em Tóquio, no Japão.

O trabalho de Filipe Magalhães foi apresentado em exposições como as Bienais de Arquitetura de Veneza e Chicago, assim como em mostras na Fundação de Serralves e no Pavillon de l'Arsenal, em Paris.

Leia Também: CCB revisita obras de Vera Mantero que interrogam o corpo e o mundo

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/cultura/2916971/habitacao-e-novas-geracoes-vao-ocupar-centro-de-arquitetura-do-ccb#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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