Filho de mulher que morreu em Quinta do Conde ligou "três vezes para 112"
- 08/01/2026
O filho da mulher que morreu na Quinta do Conde, em Setúbal, após estar 40 minutos à espera para ser assistida, revela que ligou três vezes para o 112 para saber quanto tempo demoraria a ajuda a chegar.
Em declarações aos jornalistas, o filho contou os pormenores sobre o sucedido, revelando que se encontrava no trabalho quando o cunhado lhe ligou a dizer que a "mãe não estava bem".
O homem terá tentado perceber qual a gravidade da situação, para saber se havia necessidade de chamar uma ambulância, altura em que o familiar lhe terá dito: "é urgente mesmo, tem de se chamar uma ambulância".
A idosa apresentou problemas respiratórios e após vários contatos de emergência foi acionada uma ambulância de Carcavelos, a cerca de 35 quilómetros de distâncias. Os bombeiros demoraram 40 minutos a chegar ao local.
O filho revela que ligou três vezes para o 112 para perceber quanto tempo demoraria a chegar a ajuda médica para a sua mãe, tendo à terceira sido informado de que a ambulância, do concelho de Cascais, estava a ser acionada.
"Fiquei assustado e a minha voz começou a tremer", recorda, referindo que as próprias pessoas que estavam a falar com ele ao telefone terão percebido a sua inquietação.
"É uma distância enorme, sem contar com o transito", diz ter pensado, acrescentando que o estado da mãe se foi agravando durante este período.
O homem revela ainda que no dia 25 de dezembro a mãe foi internada com uma crise respiratória, tendo regressado a casa dois dias depois com a indicação de que deveria administrar uma bomba durante outros três dias. Fora isso, a mulher era uma pessoa saudável, diz o filho, pese embora fizesse hemodiálise,
A família, natural da Guiné Bissau, que vive em Portugal há sete anos, diz que nunca sentiu problemas no acesso à saúde em Portugal.
Bombeiros denunciaram situação
Uma idosa com cerca de 70 anos de idade morreu na tarde desta quarta-feira, na Quinta do Conde, no Seixal, após sofrer uma paragem cardiorrespiratória. O socorro demorou 40 minutos a chegar ao local.
A informação foi avançada pela corporação dos Bombeiros de Carcavelos, corporação que foi ativada para prestar o auxílio à vítima, pese embora estivessem a 35 km de distância do local onde esta se encontrava.
"Durante a tarde de hoje, a nossa equipa foi mobilizada para uma ocorrência de paragem cardiorrespiratória (PCR) no concelho do Seixal, a cerca de 35 km de Carcavelos", começam por escrever estes bombeiros, acrescentando que "apesar da pronta saída do quartel, a distância entre as duas localidades condicionou inevitavelmente o tempo de chegada ao local".
A corporação em causa, partilha, ainda que "em situações de PCR, cada minuto é determinante — por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência", pelo que incidentes como estes "relembra-nos a importância dos tempos de resposta e da proximidade dos meios de socorro".
[Notícia atualizada às 13h39]
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