"EUA têm o direito de repensar laços. Nós temos o direito de dizer não"
- 09/01/2026
A posição de Jean-Noel Barrot foi manifestada durante o discurso anual aos embaixadores franceses em Paris referindo-se diretamente à nova doutrina norte-americana que prevê declínio civilizacional na Europa.
O ministro francês disse que atualmente não se pode concordar sempre com os Estados Unidos, apesar de ser um país aliado.
"Em apenas alguns meses, o novo Governo norte-americano decidiu, e é um direito seu, repensar os laços que nos unem. É também nosso direito dizer não a um aliado histórico, por mais histórico que seja", afirmou.
Barrot disse ainda que a civilização europeia não vai desaparecer, mas avisou que a "organização política" está em perigo, apesar da "inestimável estabilidade num mundo imprevisível" e apesar da imensa riqueza científica, tecnológica, cultural e financeira.
O chefe da diplomacia francesa estava a referir-se ao recente documento da Administração norte-americana "Estratégia de Segurança Nacional" que prevê um "declínio civilizacional" na Europa.
Na estratégia de segurança nacional publicada em dezembro do ano passado, os Estados Unidos afirmaram que o declínio económico da Europa "é ofuscado pela perspetiva real e mais sombria de um colapso civilizacional".
Neste sentido, Barrot afirmou que a União Europeia está "ameaçada externamente pelos adversários que tentam desfazer os laços de solidariedade" e internamente pela "fadiga democrática".
"Sejamos realistas, nada garante que ainda estaremos a viver na União Europeia tal como a conhecemos daqui a 10 anos", alertou.
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