Comissão Europeia lamenta mortes de civis em ataque dos EUA à Venezuela
- 08/01/2026
"Claro que lamentamos todas as mortes, todas as vítimas civis, embora os números ainda tenham de ser confirmados", afirmou Anitta Hipper, porta-voz da Comissão Europeia para os assuntos externos e política de segurança, na conferência de imprensa diária do executivo comunitário.
Esta reação surge depois de o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabelo, ter indicado hoje que pelo menos 100 pessoas morreram na sequência do ataque dos Estados Unidos. A agência France-Presse (AFP) noticiou a morte de pelo menos um civil, um miliciano, 23 militares venezuelanos e 32 cubanos.
Nesta conferência de imprensa diária, a porta-voz da Comissão Europeia foi ainda questionada se considera que a interceção, pelos Estados Unidos, de um navio petroleiro com bandeira russa suspeito de pertencer à chamada "frota fantasma", cumpre o direito internacional.
"Não nos cabe a nós falar ou julgar as ações de outros parceiros internacionais", respondeu a porta-voz da Comissão Europeia Arianna Podestà.
Anita Hipper frisou, contudo, que a União Europeia (UE) partilha, no que se refere à chamada "frota fantasma", o "objetivo comum de sancionar" e impedir que "todos aqueles que tentam contornar as sanções" o consigam fazer.
"Vários navios da frota fantasma são alvos de sanções [europeias]. Se olhar para os números, já sancionámos mais de 597 navios e, no mês de dezembro, na última reunião do Conselho de Negócios Estrangeiros, adicionámos mais 41 navios", referiu.
Segundo a porta-voz, estas sanções visam transmitir à Rússia uma "mensagem muito forte" de que a União Europeia está a "atuar para impedir que a Rússia consiga financiar a sua guerra de agressão contra a Ucrânia".
Questionada assim se a Comissão Europeia incentiva os seus Estados-membros a atuarem perante os navios da chamada "flotilha fantasma" como os Estados Unidos fizeram na quarta-feira, Anita Hipper respondeu: "Cabe aos Estados-membros decidirem se abordam ou inspecionam qualquer um dos navios sancionados".
Esta quarta-feira, a Guarda Costeira dos EUA intercetou o petroleiro Marinera -- anteriormente conhecido como Bella 1 -- no Atlântico Norte, acusando-o de violar o regime de sanções imposto por Washington. Segundo os Estados Unidos, o navio tentava aceder a águas venezuelanas para carregar crude.
Moscovo já qualificou a operação como uma "intercetação ilegal" e exigiu um tratamento "humano e digno" para a tripulação.
A apreensão do Marinera insere-se na crescente pressão dos EUA sobre as exportações de petróleo da Rússia e da Venezuela. Washington anunciou recentemente novas medidas para confiscar navios ligados ao comércio de petróleo venezuelano e controlar indefinidamente as receitas associadas.
Segundo órgãos de comunicação norte-americanos, o Marinera fazia parte da chamada "frota fantasma" usada para contornar as sanções ocidentais, o que tem alimentado fricções diplomáticas entre Washington e Moscovo.
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